Certezas incertas na hora de largar tudo para viajar

Já viajei muitas vezes, mas nunca passei tanto tempo longe de casa. Mergulhei numa grande aventura, saí de casa sem ter data de volta e apenas com o mundo aos meus pés. Fui desenhando a viagem pelo caminho e deixando o vento me levar.

Estou vivendo muitas coisas, adquiri novos hábitos, mudei de opinião, mudei de novo e de novo, conheci e continuo conhecendo muita gente, me cansei de viajar, me cansei de não viajar, senti falta de ter uma rotina, deixei de sentir falta quando voltei a ter uma, me enjoei de comer algo novo todo dia e sonhei com pratos de arroz e feijão, odiei comidas apimentadas, me acostumei com comidas apimentadas, aprendi a gostar de Vegemite e por aí vai…

Acho que o segredo do negócio é a capacidade de se adaptar e de se contentar com o que você está buscando na sua vida em determinado momento, mas isso também é um mega desafio, muitas vezes nos adaptamos com o que não é bom e nos contentamos com aquilo que, no fundo, não queremos. Trabalho, relacionamentos, educação, família. Às vezes deixamos a vida seguir no “piloto automático” e esquecemos que quem comanda essa birosca ainda somos nós!

1 ano e 3 meses que não sei mais o que é ter uma casa, com as minhas coisas. 450 dias que não abraço minha mãe, minhas irmãs, meu sobrinho, a Princesa e a Filó. Já são 60 semanas que não encontro meus amigos. 10.800 horas que estou longe da onde cresci e hoje consigo entender que isso também faz falta, minha paixão por viajar não minimiza a importância daqueles que amo.

Tento me adaptar as situações que busco e me contentar com o que tenho, não podemos ter tudo. Podemos ter tudo que queremos? Acho que sim, desde que você saiba genuinamente o que quer e se não souber, também não tem problema, vai descobrindo pelo caminho.  Por que temos que acabar a escola e decidir uma profissão para exercer pelo resto das nossas vidas? Por que temos que fazer a mesma coisa a vida toda? Eu não posso ter diferentes paixões e testar coisas novas? Qual é o problema em aprender algo novo depois de “velho”? E daí se eu não construir um patrimônio material para os meus filhos? Serei fracassada por isso? São essas e outras perguntas que me fazem pensar nas escolhas, às vezes, precipitadas que tomamos por certas.

Tantos sentimentos vêm e vão, experiências que marcam, boas e más lembranças que ficam, pessoas significantes que conhecemos e aos poucos vamos lendo o mundo de outra forma, nem certa nem errada, apenas por outra perspectiva, construindo uma bagagem para a vida.

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