7 coisas que aprendi viajando o mundo

É difícil voltar para “casa” e não sou a única que sente isso. Amigos que fiz viajando o mundo e retornaram para seus países sentem o mesmo. Uma amiga me disse que é como encontrar a si mesmo no passado, como se eu tivesse voltado no tempo, onde tudo está igual, menos eu…

Foi mochilando e trabalhando por acomodação e comida que conheci o mundo. Aprendi muito com cada experiência, ahhhhh e como aprendi!! Dormi em camas cheias de percevejo, peguei ônibus que pensei que não fosse chegar viva na fronteira, passei a noite no chão de um trem na Índia…  

Mas e ai? O que mudou, e continua mudando, na minha vida?

#1 Menos é mais!

Tenho um celular ultrapassado, mas que funciona bem, por que trocá-lo? Eu não preciso de mais roupas ou de um carro novo se o meu ainda está bom. Algumas pessoas me falaram que desde que voltei parece que estou fazendo voto de pobreza. Eu diria que meu “voto” é de riqueza, como já dizia José Mujica, ex-presidente do Uruguai, quando compramos algo não compramos com dinheiro, compramos com o tempo de vida que gastamos para consegui-lo.  Entretanto esquecemos que a única coisa que não podemos comprar é a vida, a vida se gasta. Minha riqueza é gastando minha vida com o que me faz crescer, somar bens materiais é gastá-la com algo que não me faz evoluir, é passar pela vida sem levar nada dela.

menos é mais

Ter um carro e um celular top é mesmo mais legal do que estar aqui? Ver esse lago na Nova Zelândia foi lindo!

# 2 Arroz, feijão e brigadeiro não é a ÚNICA comida boa do mundo!

Como é bom nos adaptarmos! Ser flexível com uma comida pode nos ajudar a ser flexível com muitas coisas do dia a dia. Claro que senti saudade da minha comida, do PÃO DE QUEIJO, mas não posso negar que a culinária de muitos países ganhou meu estômago!  Depois que me ‘’acostumei” com a pimenta na Índia, cada refeição era a descoberta de alguma coisa nova, tudo era gostoso. No Vietnã adorava comer o lanche de baguete de lá, vinha tanta coisa dentro, era muito gostoso! Provei um grilo frito na Tailândia e com certeza comeria de novo com batatas fritas e cerveja, o gosto é ótimo. Eu aposentaria o brigadeiro por uns tempos e ficaria só com a baba de camelo em Portugal…. Sinto falta de muitas comidas que provei viajando e se pudesse, traria todas na mochila comigo!

viajar o mundo

Lanche de baguete no Vietnã, fonte Google

# 3 Ter um bom emprego

Defina bom emprego. Bom para quem? Já teve gente querendo me arranjar entrevistas desde que cheguei no Brasil, me perguntando quando vou procurar trabalho, porque depois dessa viagem eu arranjaria um ótimo emprego e ganharia muito bem.

Mas eu preciso ganhar bem? Vender meu tempo de vida em algo que não me faz feliz é irreversível. Mudei muito de opinião em relação a construir uma carreira em uma empresa e o tal do: “ser alguém na vida”. Antes de ser alguém, preciso ser alguém feliz e satisfeito com minhas escolhas. Não seguir um sistema que me empurra para trabalhar em empresas renomadas, adquirir bens para ter uma vida boa e buscar o sucesso profissional antes do pessoal só porque: “é assim que tem que ser”. O mundo é muito grande, tem muita coisa diferente rolando por aí que não conhecemos.  As pessoas também vivem de outras formas, com menos dinheiro? Talvez com menos sim, mas com prioridades diferentes.

# 4 Paciência é REALMENTE uma virtude

Ser paciente ajuda muito em várias situações. Admito que paciência não era muito o meu forte antes de viajar, foi mochilando que melhorei muito.  A gente passa constantemente por muitas situações de “stress”, (não me levem a mal, viajar é uma delícia mas viajar por muito tempo não são só flores, passei por muitos perrengues, tive medo, fiquei doente, hoje são ótimas histórias, mas na hora tive que saber ligar com o “stress” de cada situação). Estar em um lugar novo quase todo dia, sem falar o idioma do país, sofrendo assédio por ser mulher, lidando com o imprevisto, enfim a paciência e a calma são nossas melhores amigas. No Nepal fiz um curso de meditação, 10 dias sem falar e meditando 12 horas por dia, me ajudou em muitíssimas coisas durante a viagem e que levo para vida também, paciência e autocontrole foram algumas delas.

# 5 Derrubando os pré-conceitos.

Estereótipos e labels de outras culturas, por mais que sutis, existem. Aprendi muito com meu preconceito. Na Indonésia, país majoritariamente islâmico, achei que mulheres mulçumanas não falassem sobre sexo e não fizessem brincadeiras sobre homens, até fazer amizade com algumas e descobrir que piadinhas nesse assunto também são comuns no mundo delas. Quem nunca ouviu falar que os norte-americanos se sentem os donos do mundo?  Na real? Conheci muitos e não posso falar isso de nenhum deles. São opiniões que sabemos que são generalizações, mas que mesmo sem querer, acabamos lembrando disso em algum momento. Viajar é bater de frente com suas próprias verdades, aprender a respeitar, mudar de opinião e ver que o que você acha que sabe, pode sim estar muito errado.

Viajando o mundo

Passeio dos alunos e professores dutante meu voluntariado na Indonésia 

# 6 Arranjei coragem até de onde não tinha!

Dar o primeiro passo sempre é um pouco difícil, escolher a faculdade, mudar de emprego, comprar alguma coisa, as incertezas nos trazem muita insegurança.  Me lembro quando surgiram os celulares de touchscreen e eu achei que não fosse aprender a mexer naquilo (senti os dinossauros dentro de mim agora rsrs), fiz 18 anos e pensei que dirigir fosse um bicho de 7 cabeças e agora já pilotei até moto pelo sudeste asiático (WOW). Abandonar a carreira e viajar pelo mundo, eu? Isso era para gente rica, não para mim, ERRADO! Hoje, olho para trás e vejo tudo que já vivi, todas as experiências que levo comigo e penso: não há nada que eu não possa fazer. Não há nada tão grande que não possa ser alcançado com coragem e determinação.

# 7 Menos mimimi e mais aproveitar cada momento!

Limpeza, higiene e conforto são 3 coisas que podem ter um significado muito diferente pelo mundo.  Na Indonésia, meu prato preferido era todo feito com as mãos, a mesma mão que segurava o cigarro, que pilotava a moto e que cobrava o dinheiro inclusive.  Na Índia conforto é esperar pelo trem sentado no chão da estação disputando espaço com os ratos. Aquele mar de gente esperando no chão (sorte de quem consegue um lugarzinho no chão). Uma vez vi um homem deitado próximo da sua família e um rato se aproximou da cabeça dele, acha que ele saiu dali? Ele foi assustar o rato e voltou a se deitar #ThugLife!  Tenho cada pérola pelo sudeste asiático que poderia ficar aqui falando por dias! Uma coisa é fato, os primeiros dias assustam um pouco, até porque é quando a diarreia está mais forte rsrs, mas depois passa! Se todo mundo ali vive daquela forma, por que vou ficar com frescura? Quero mais é aproveitar cada experiência ao máximo!

viajar o mundo

Essa cara foi só pra foto, depois vi que é bem gostoso!

 

Bem, já deu para ver que meu estilo de viagem não é ficar em bons hotéis, na piscina, comendo, relaxando e fazendo tours. Acho que esse é um dos principais motivos de tantas mudanças na minha vida, gosto de viajar e aprender com minhas viagens, gosto de mudar, de mundar! Toda mudança boa ou ruim, traz um aprendizado com ela. Um dia quem sabe, quando estiver velhinha eu viaje com uma excursão/pacote fechado, sem me preocupar com nada ou talvez não… Talvez continue essa mão de vaca com a mochila nas costas, agarrada apenas a minha liberdade de decidir onde quero ir.